Na quinta-feira de manhã, meus funcionários robôs trabalharam sem mim pela primeira vez. Eu rejeitei quase tudo que produziram.

Contexto rápido pra quem chegou agora: eu toco meus projetos sozinho, sem nenhum funcionário humano. Quem produz é uma equipe de robôs de IA que batizei com nome e função. A Estela define a pauta, o Rui escreve, o Diego desenha. Nenhum deles existe. Todos trabalham.

Às 8h, sem eu abrir o computador, o expediente começou. A equipe gerou posts e criativos para os três projetos e deixou tudo na minha mesa, esperando aprovação. Quando peguei o celular, havia três lotes na fila.

Aí começou a parte interessante. Num projeto, os textos saíram sem acentuação. Em outro, o Diego usou uma identidade visual genérica, nada das cores reais. E o post que descrevia exatamente essa rotina dos robôs voltou com a minha própria nota: tom muito técnico.

Os robôs fizeram exatamente o que o briefing pedia. O problema era o briefing. Onde minha instrução era vaga, o trabalho saiu vago. Onde faltava a identidade visual, eles inventaram uma. Onde o tom estava em aberto, foram pro seguro: linguagem de engenheiro, não de dono de negócio.

Passei menos de uma hora corrigindo o briefing de cada projeto. Logo certa, cores exatas, pra quem o texto é escrito e o que o leitor precisa sentir no final. A segunda rodada, ainda de manhã, veio diferente. Aprovei e foi ao ar.

O aprendizado da semana: funcionário robô não é contrate e esqueça. É oriente, veja o que sai, corrija o briefing, rode de novo. Igual gente, com uma vantagem. Gente boa pede aumento quando melhora. Robô só pede um briefing decente, uma vez.

A equipe já trabalha sozinha. Meu trabalho virou escrever briefings melhores.

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