Oi,

Essa semana eu fiz uma coisa que faz tempo que estava só na minha cabeça: comecei a montar uma das minhas operações inteira com agentes de IA. Sem contratar ninguém. E quero te contar como foi, porque o aprendizado que tirei não tem quase nada a ver com ferramenta.

A primeira decisão foi a que mais mudou o jogo. Eu não pensei em "que pessoas eu preciso". Pensei em "que funções uma empresa tem": conteúdo, vendas, dados, financeiro, suporte. Cada função virou um agente, com nome e papel definido. Vinte e seis no total, organizados em squads. É o mesmo organograma de qualquer empresa, só que ninguém bate ponto.

A segunda decisão foi uma regra única pra tudo, e é ela que me deixa dormir tranquilo: o agente propõe, eu aprovo, a automação executa. Nada vai pro ar sem passar por mim. Aquele medo clássico de IA publicando bobagem no meu nome simplesmente não existe nesse desenho, porque existe um portão de aprovação no meio do caminho.

Mas a parte que eu mais quero que você leve dessa edição é outra. O gargalo de montar isso não foi a tecnologia. Foi decidir a fronteira.

Onde fica o humano. O que roda sozinho vinte e quatro horas. O que roda só quando eu mando, com aprovação. Passei muito mais tempo pensando nisso do que configurando qualquer coisa. E faz sentido: o repetitivo e de baixo risco, tipo atendimento e recompra, pode rodar no automático o tempo todo. Já o que carrega a minha voz, como conteúdo, eu faço questão de aprovar antes de existir. Errar essa linha é o que transforma automação em armadilha. Quem coloca tudo no automático vira refém de um sistema que produz genérico no seu nome. Quem coloca tudo no manual não escala nunca.

Tem um custo nisso, e eu prefiro ser honesto: eu virei o gargalo. Se eu não aprovo, nada sai. Aceitei de propósito, porque pra mim genérico assinado com o meu nome custa mais caro que lentidão.

E teve uma decisão pouco glamourosa que vale registrar: comecei sem gastar nada. Publicação manual primeiro, ferramenta paga só quando o volume justificar. Hoje o circuito mínimo rodou inteiro pela primeira vez. O agente criou, eu aprovei numa central única, o sistema registrou. Parece pouco. É a fundação de tudo que vem depois.

Não vou te vender isso como uma operação pronta rodando há anos. É uma empresa sendo montada agora, peça por peça, e muita coisa ainda vai mudar. Por isso decidi construir em público. Vou documentar cada etapa por aqui, com os acertos, os erros e os limites.

Fica a pergunta que estou me fazendo, e que talvez sirva pra você também: na sua operação, onde você traçaria a linha entre o que é humano e o que é agente?

Na próxima eu te conto a primeira coisa que quebrou.

Abraço,

Renan

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